Foi seguindo-me iluminadamente. Olhos latentes. Ocoração batia aceleradamente. A boca entreaberta gelava soprando um vento que mais parecia minhas palavras tentando algo. Tentei dizer algo, mas me calei.Calei por dentro da alma. Me escondi atrás de uma máscara corada. Trepidava-e o corpo naquela direção. Parei. O céu anunciava a chegada da noite.
__Será que posso acompanhála? Disse-me com certa ironia.. Parecia saber minha resposta.
__ Depois que me acompanha é que pedi minha permissão?
Satirizei o raciocínio.
Assustado com meu tom nem um pouco simpático, ou ainda diferente do que esperava, ele segue a minha frente como se naquele instante não tivesse passado por ninguém.
___ Fique você sozinha, ou melhor com a sua simpatia.
E continuou andando. Eu suava de raiva. Alguém havia me desafiado.
O brilho reluzente do sol enfeita mais um belo dia de domingo. Era primavera, tão bea. As flores do meu jardim abriram-se num contemplo de cores e perfumes. Resolvi sair. Ao som de pássaros em serenata para as flores.
Estava tudo muito perfeito, deslumbrante, pena que durou quase nada. Ele tinha que aparecer para estragar tudo. Conseguiu me tirar do sério.
__ Oi, BOM DIA...
__Não falo com estranhos.
Afastei sem que ele percebesse meus movimentos.Uma atitude grossa e totalmente sem sentido.
__ Só se dor hoje, porque até ontem você falava. Mas esse não é um problema, passamos a nos conhecer então.
Isso me pareceu uma pergunta do tipo: qual é seu nome? Onde você mora?
__ Me chamo Margarida... Moro aqui perto...
Abaixei a cabeça. Meu rosto queimava. Eu definitivamente, não sabia lidar com a timidez.
__ Encantado com o nome Margarida e principalmente coma garota rosinha que esta diante dos meus olhos. Eu sou John... Moro bem longe deste lugar, mas sempre que posso corro para cá.É aqui onde me sinto puro e completamente diferente dos outros homens.
O rosto dele mudara de expressão. Nossos olhares fertejavam ao se encontrarem. Por um momento pensei que ele iria me beijar...Quando na verdade, eu saí antes disso acontecer...
___ É, esse lugar me traz boas lembranças e além de tudo me faz sentir viva.
Criei coragem para encarar os olhos de John novamente. Ele me fitava num olhar...Eu tentei mudar de assunto, mas nada me veio a mente.Nada diante daqueles olhos .
__ Preciso ir...Meus pais devem estar preocupados com a minha ausência. Preciso ir... Até...
Saí andando em passoa longos...
___ Ei Margarida. Espera...
Consegui escutar os gritos de John, mas definitivamente eu precisava ir para casa. Ou então ele acabaria descobrindo tudo. Eu precisava entender por que ele me deixava assim...Descobriria tudo o que eu tanto lutava para tentar não enxergar...
Eu não tinha informações sobre ele.A única coisa que eu podia ter certeza é que John modoficava meus minutos, segundos, minha respiração, meu sorriso... Ele transformava-me.
O verão tomara conta de toda a cidade. Um sol radiante. Brilhante como nunca. Durante tanto tempo presa no quarto e nas minhas lembranças, entendi quase tudo e não sabia dizer sobre nada. Elas traziam-me conforto, apesar de tudo.AS lágrimas quase nunca paravam de rolar sobre uma pele que envelhecera durante cada segundo sem a presença de John. Meus sonhos que já não eram sonhos foram tomados pelas emoções passadas.Depois de todo esse tempo nunca mais voltei a ver John. Lembrava-me dos gestos dele, do nosso encontro ao acaso. Sem pretenção alguma. Senti saudades calada.
A melhor iniciativa naquele momento era uma viagem para bem longe. Esquecer de tudo talvez seria a melhor saída.Impossível. Mas tentei. E foi assim durante muitas primaveras e verões sem ele...
Me mudei para serra. Lugar simples. Exuberando harmonia. Ali morava minha mãe bastarda. Os meus de sangue nunca os conheci.
__Bom dia minha filha.
Disse dona Isis.
__ Bom dia...
Eu disse ainda arrumando os cabelos e defazendo-me dos cobertores.
__ O café tá posto. ocê fica a vontade aqui tá? Margarida...
Idosa, mas com muito amor, dona Isis sempre cuidava de mim como sua filha legítima.
Continueino quarto, eu estava sem apetite. Por um segundo ouvi uma conversa na sala. Fui até lá. Tive uma surpresa que me mudara, como sempre ele conseguia fazer.
__John?
__Ocê conhece ele ?
Dona Isis interrompe sem compreender a cena.
__ Margarid, procurei por você todo esse tempo.
Caminhei passos curtos até ficar diante dele. Dona Isis saiu da sala e nos deixa conversar a sós.
___ Por que você desapareceu? Eu voltada dia pós dia te procurando Margarida...
Meus lábios tremiam.
___ Tive medo...Tive medo de estar amando. Tive medo de não ser amada. Só isso. Medo.
Sentei no sofá coberto por pedaçoes e tiras de panos que o tapavam. Levei minhas mãos ao rosto e debruçei a chora. John me olhava.
___ Teve medo de se paixonar , de amar? Eu já deveria esperar isso de você. Eu sabia que não era como as outras. E foi por tantos outros motivos que também me fizeram te encontrar a qualquer preço.
Fiquei sem palavras, e rosada como sempre.
___ Eu te amo Margarida.
Levantei meus olhos lacrimejados.Meus lábios anunciaram um sorriso.
___ Eu também te procurei. Nunca conmsegui te esquecer. Te procurei John, naquelas lembranças que marcaram a primavera e foram elas que fizeram com que eu pudesse ter a coragem de te amar em silêncio...
Segurando minhas mãos, John olhava-me. Deixei escapar um sorriso no rosto molhado de lágrima.
__Eu te amo John por tudo que há de mais lindo nesse mundo.
Minha alma alegrou-se e pela primeira vez tive a sensação de que fiz a coisa certa a fazer.
Nossos lábios encontraram-se nas chamas de um beijos que já poderia ter acontecido. Me senti criança, os pés saíram do chão e meu corpo flutuava como nuvem.
Sem nos dar conta, passamos mais uma primavera juntos. E essa sem dúvida foi o começo de todas as outras que virão...
Abraçados caminhamos até as flores que perfumavam todo o jardim...