sexta-feira, outubro 28, 2011

"Doença"

Hoje descobri que tenho uma doença grave. Não sei, mas discernir o que sinto. As dores são incalculáveis. É provável que isso me sufoque. Não me vejo respirando o ar puro e sublime da alma. Sinto que tenho uma obsessão crescendo dentro de mim. As batidas do meu coração são ouvidas ao longe, até as montanhas testemunham esse fato. Meus olhos estão cansados e ardem com as águas que estão prestes a cair deles. Prefiro acreditar, que na vida, tudo acontece quando no tempo certo de acontece. E talvez o meu tempo esteja se esgotando. O grande momento de dizer adeus para as coisas mais vivas e perdidas do meu mundo. Adeus a minha infinita insegurança. Nesse momento minhas mãos com auxílio dos dedos, exprimem toda a minha verdade. Do ser que sou. Do ser que me transformei. Estou morrendo. Morrendo de medo da minha não aceitação. Morrendo de culpa. Morrendo por dentro. Estou morrendo de amor. De amar você. Aos suspiros, derramei uma lágrima e a mesma marcou seus lábios. Esse momento jamais será esquecido por mim e muito menos pelo meu corpo, que sentiu o seu. Aquele dia poderia já ter sido vivido por nós a muito tempo antes. Não foi hoje que me apaixonei pelos seus olhos. Apaixonei-me todos os dias em que esteve diante de mim. E... Eu... Não fiz absolutamente nada. O meu silêncio queria dizer tanto, porém, você nunca iria entendê-lo. Agora que já contei da minha amargura, posso dizer que estou morrendo, mas morrendo da vida. Morrendo de nós. Você jamais vai compreender essa minha doença. Amar-te e sentir que devo me calar. Passaram-se muitos invernos e na confusão de cada um deles pude perceber a falta que você me faz. Chorei comigo mesma. Chorei com a vida. Mas a única coisa que ela deixou pra mim foi a morte sua...

terça-feira, outubro 25, 2011

"É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."

Clarice Lispector